Aprender a Julgar com Justiça

Portuguese, Portugal

Irmãos e irmãs,

O nosso tema esta manhã é aprender a julgar com justiça.

A palavra julgamento por vezes pode deixar-nos desconfortáveis. Vivemos num mundo que cada vez mais nos diz que não devemos julgar de forma alguma. Somos encorajados a aceitar quase tudo, a considerar os padrões como escolhas pessoais e a pensar que a ideia de uma pessoa acerca do que é certo é tão válida como a de qualquer outra.

Mas não é assim que as Escrituras usam a palavra julgamento.

Quando a Bíblia fala de julgamento justo, não nos encoraja a sermos duros, presunçosos, críticos ou condenatórios. O julgamento justo diz respeito ao discernimento. É a capacidade de reconhecer a diferença entre o bem e o mal, o certo e o errado, a verdade e o erro, e depois tomar as nossas decisões segundo os princípios de Deus.

“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.”

João 7:24

Portanto, existe claramente uma forma de julgamento que é errada, mas também existe um julgamento que o Senhor nos manda exercer.

A pergunta, então, não é simplesmente:

Julgamos?

Todos nós fazemos julgamentos todos os dias.

A verdadeira pergunta é:

Por que padrão julgamos?

Julgamos segundo aquilo que a sociedade diz ser aceitável?

Julgamos segundo aquilo que os nossos amigos pensam?

Julgamos segundo aquilo que é mais fácil?

Julgamos segundo aquilo que causa menos problemas?

Julgamos segundo os nossos próprios sentimentos?

Ou julgamos segundo os princípios revelados por Deus?

Essa pergunta leva-nos de volta ao livro de Deuteronómio.

Israel na fronteira

Deuteronómio é um livro extraordinário porque Israel estava mesmo à beira da Terra Prometida.

Atrás deles estava o deserto.

Atrás deles estavam quarenta anos de peregrinação, fracasso, disciplina, morte e renovação.

A geração que tinha saído do Egito havia morrido em grande parte no deserto. Uma nova geração estava diante de Moisés. Estavam prestes a entrar na terra que Deus prometera a Abraão, Isaque e Jacó.

Por isso Moisés voltou a apresentar-lhes a Lei.

Deuteronómio não é simplesmente uma coleção de regras. É um apelo cheio de amor.

Repetidamente, Moisés recordou a Israel aquilo que Deus tinha feito por eles, aquilo que Deus esperava deles e aquilo que aconteceria se se afastassem dele.

Há algo muito importante para nós nisto.

Nós também viajamos em direção a uma herança prometida.

Nós também pertencemos a uma comunidade chamada para sair do mundo.

Nós também temos experimentado a paciência, a disciplina e a misericórdia de Deus.

E nós também estamos a ser preparados para o Reino.

Por isso, quando Moisés fala a Israel à beira da terra, devemos escutar com muita atenção.

Em Deuteronómio 1, Moisés recordou a nomeação dos juízes.

Ele disse:

“Tomai-vos homens sábios, entendidos e conhecidos entre as vossas tribos, para que os ponha por cabeças sobre vós.”

Deuteronómio 1:13

Não deviam ser simplesmente homens poderosos.

Deviam ser sábios.

Deviam ser entendidos.

Deviam ser homens cujo caráter fosse conhecido entre o povo.

E Moisés continuou:

“E no mesmo tempo mandei a vossos juízes, dizendo: Ouvi a causa entre vossos irmãos e julgai justamente entre o homem e seu irmão, e entre o estrangeiro que está com ele.”

Deuteronómio 1:16

Notem a expressão:

Julgai justamente.

Depois Moisés explica o que isso significa:

“Não atentareis para pessoa alguma em juízo; ouvireis assim o pequeno como o grande; não temereis a face de ninguém, porque o juízo é de Deus.”

Deuteronómio 1:17

Há aqui vários princípios que deveriam afetar cada um de nós.

Em primeiro lugar, o julgamento justo é imparcial.

Não é afetado pelo facto de gostarmos ou não de alguém.

Não é afetado pela importância da pessoa.

Não é afetado pela sua riqueza.

Não é afetado pelo facto de ser nosso amigo.

Não é afetado pelo receio de a desagradar.

“O pequeno como o grande” deviam ser ouvidos.

Em segundo lugar, o julgamento justo exige coragem.

Moisés disse:

“Não temereis a face de ninguém.”

Isso é extremamente desafiador.

Muitas decisões erradas não são tomadas porque as pessoas não saibam o que é certo.

São tomadas porque as pessoas têm medo das consequências de fazer o que é certo.

Podemos temer críticas.

Podemos temer perder amizades.

Podemos temer ser considerados antiquados.

Podemos temer ser diferentes.

Podemos temer tornar-nos impopulares.

E assim o padrão muda gradualmente.

Não porque as Escrituras mudaram.

Não porque Deus mudou.

Mas porque começámos a temer a face do homem.

Moisés dá a resposta:

“Porque o juízo é de Deus.”

Isso muda tudo.

Em última análise, o padrão não é nosso.

Pertence a Deus.

Quando os padrões começam a baixar

Há um desenvolvimento muito sério quando passamos de Deuteronómio para a profecia de Ezequiel.

Os juízes e os anciãos de Israel tinham sido originalmente nomeados para manter a justiça.

Mas o que acontece quando aqueles que deveriam defender os padrões de Deus começam eles próprios a abandoná-los?

Ezequiel 8 dá-nos uma imagem terrível.

Ezequiel é levado em visão a Jerusalém e é-lhe mostrado o que estava a acontecer entre as mesmas pessoas que deveriam saber melhor.

Lemos:

“E estavam em pé diante deles setenta homens dos anciãos da casa de Israel...”

Ezequiel 8:11

Então Ezequiel vê o que estão a fazer.

Estão envolvidos em idolatria.

Não eram gentios ignorantes que nada sabiam acerca do Deus de Israel.

Eram anciãos.

Eram homens com posição.

Eram homens que deveriam conhecer a Lei.

Eram homens que deveriam ensinar justiça aos outros.

E, no entanto, em privado tinham permitido que os padrões de Deus fossem substituídos.

Essa é uma das situações mais perigosas que podem surgir numa comunidade de crentes.

Normalmente não acontece de um dia para o outro.

Os padrões costumam desaparecer gradualmente.

Algo que antes perturbava a consciência começa a ser tolerado.

Depois torna-se familiar.

Depois torna-se aceitável.

Finalmente pode até começar a ser defendido.

É por isso que as Escrituras nos avisam repetidamente para nos examinarmos a nós mesmos.

É possível continuar exteriormente religioso enquanto interiormente nos afastamos cada vez mais de Deus.

Os anciãos dos dias de Ezequiel tinham posição.

Tinham estatuto.

Tinham herança religiosa.

Mas nenhuma dessas coisas os protegeu da corrupção.

Nem nos protegerão a nós.

Estar na Verdade há muitos anos não significa automaticamente que o nosso julgamento continue justo.

Ser um irmão com responsabilidades não garante automaticamente um julgamento justo.

Ser capaz de dar discursos não garante um julgamento justo.

Conhecer bem as nossas Bíblias não garante um julgamento justo.

Conhecer as doutrinas corretas não significa automaticamente que as nossas vidas sejam governadas por essas doutrinas.

Temos de voltar continuamente ao padrão.

E o padrão é a Palavra de Deus.

O perigo da aparência religiosa

Quando chegamos ao tempo do Senhor Jesus, encontramos outra estrutura de liderança religiosa.

Havia escribas e fariseus.

Havia um conselho de julgamento.

Havia homens reconhecidos como autoridades religiosas.

Muitos deles conheciam enormes porções das Escrituras.

Alguns eram meticulosos na prática religiosa.

No entanto, o Senhor Jesus desafiou-os repetidamente porque algo tinha corrido terrivelmente mal.

Em Mateus 23 ele disse:

“Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam.”

Mateus 23:2-3

Essa é uma das definições mais claras de hipocrisia religiosa nas Escrituras:

Dizem e não praticam.

O ensino deles e as suas vidas tinham-se separado.

E isso é um perigo para todo o crente.

Podemos dizer as coisas certas.

Podemos defender a doutrina certa.

Podemos assistir às reuniões.

Podemos usar o vocabulário certo.

Podemos saber exatamente o que outra pessoa deveria estar a fazer.

Mas ainda resta uma pergunta vital:

Estamos nós próprios a fazê-lo?

A crítica do Senhor aos fariseus não era simplesmente que lhes faltava conhecimento.

Muitas vezes tinham conhecimento.

O problema era que o conhecimento não tinha produzido o caráter correto.

A religião deles tinha-se tornado preocupada com a aparência.

Jesus disse mais adiante em Mateus 23:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniquidade.”

Mateus 23:25

Depois disse:

“Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo.”

Mateus 23:26

Deus trabalha de dentro para fora.

O mundo preocupa-se muitas vezes com as aparências.

Deus preocupa-se com o coração.

Podemos enganar-nos uns aos outros.

Não podemos enganar Deus.

O Senhor também advertiu os seus discípulos acerca do fermento dos fariseus.

O fermento é particularmente eficaz porque uma pequena quantidade se espalha por toda a massa.

Isso torna-o uma imagem poderosa da influência.

Os padrões raramente desmoronam porque alguém anuncie abertamente:

A partir de hoje vamos ignorar a Bíblia.

Normalmente é muito mais subtil.

Um pequeno compromisso aqui.

Uma pequena mudança ali.

Algo é desculpado porque as circunstâncias são difíceis.

Algo é aceite porque todos os outros o fazem.

Algo fica sem correção porque falar disso seria desconfortável.

E pouco a pouco, o fermento espalha-se.

É por isso que precisamos de perguntar regularmente a nós mesmos se o pensamento do mundo começou a remodelar o nosso pensamento.

Paulo diz em Romanos 12:

“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento...”

Romanos 12:2

A pressão é sempre para a conformidade.

O mundo quer que pensemos como ele pensa.

Que valorizemos aquilo que ele valoriza.

Que desculpemos aquilo que ele desculpa.

Que procuremos aquilo que ele procura.

Que temamos aquilo que ele teme.

Mas o discípulo de Cristo deve ter continuamente a sua mente renovada pela Palavra de Deus.

A justiça no Senhor Jesus

E então chegamos ao exemplo perfeito.

O Senhor Jesus não ensinou apenas a justiça.

Ele viveu-a.

No início do seu ministério público, veio a João Batista.

João inicialmente resistiu a batizá-lo.

Mateus regista:

“Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?”

Mateus 3:14

E Jesus respondeu:

“Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça.”

Mateus 3:15

Jesus não tinha cometido pecado pessoal.

No entanto, submeteu-se voluntariamente ao batismo.

Porquê?

Porque tinha vindo completamente para fazer a vontade do seu Pai.

Toda a sua vida era um reconhecimento de que o caminho da carne conduz à morte e de que a vida se encontra através da completa submissão a Deus.

O batismo apontava para o padrão que caracterizaria toda a sua vida: negação de si mesmo, obediência ao Pai, morte e, finalmente, ressurreição para uma vida nova.

E essa obediência continuou durante todo o seu ministério.

Em cada etapa Jesus enfrentou escolhas.

Escolheria o caminho fácil?

Faria concessões?

Procuraria popularidade?

Evitaria o sofrimento?

Seguiria o raciocínio humano?

Ou confiaria no seu Pai?

E todas as vezes escolheu a justiça.

Essa escolha trouxe oposição.

Trouxe rejeição.

Trouxe incompreensão.

Finalmente levou-o ao seu sacrifício.

Para a sabedoria do mundo, o caminho de Cristo parecia loucura.

Paulo diz:

“Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem...”

1 Coríntios 1:18

A sabedoria humana diz: preserva-te.

A sabedoria humana diz: protege a tua posição.

A sabedoria humana diz: evita o sofrimento.

A sabedoria humana diz: escolhe o caminho mais fácil.

Mas Cristo confiou em Deus.

E porque confiou em Deus, pôde fazer julgamentos justos mesmo quando a obediência era dispendiosa.

Hebreus dá-nos um maravilhoso resumo do seu caráter:

“Amaste a justiça e odiaste a iniquidade...”

Hebreus 1:9

Notem os dois lados.

Ele amou a justiça.

E odiou a iniquidade.

Às vezes podemos pensar na justiça apenas como evitar coisas más.

Mas Cristo amou positivamente aquilo que era certo.

Amou os caminhos do seu Pai.

Teve prazer em fazer a vontade de Deus.

O Salmo diz profeticamente:

“Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração.”

Salmo 40:8

É aí que também precisamos de chegar.

Não apenas obedecer a Deus porque tememos o castigo.

Não apenas seguir mandamentos porque nos sentimos obrigados.

Mas aprender realmente a amar as coisas que Deus ama.

E aprender a odiar as coisas que Deus odeia.

Abraão: fé e justiça

Romanos 4 coloca Abraão diante de nós.

Paulo escreve:

“Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça.”

Romanos 4:3

Abraão creu em Deus.

Isso não significa simplesmente que Abraão acreditava que Deus existia.

A sua fé significava que confiava suficientemente naquilo que Deus tinha dito para agir de acordo com isso.

Deus disse-lhe para deixar a sua terra.

Abraão foi.

Deus prometeu-lhe descendência.

Abraão creu.

Deus disse-lhe para oferecer Isaque.

Abraão obedeceu, confiando que Deus era poderoso até para ressuscitar os mortos.

A fé afetou o seu julgamento.

Porque Abraão confiava em Deus, podia tomar decisões que pareciam extraordinárias segundo o raciocínio humano comum.

E essa é uma das chaves do julgamento justo.

Se não confiarmos verdadeiramente em Deus, então, quando o caminho de Deus se tornar difícil, acabaremos por escolher outro caminho.

Escolheremos o caminho seguro.

O caminho conveniente.

O caminho socialmente aceitável.

O caminho financeiramente vantajoso.

O caminho que evita conflito.

Mas a fé diz:

Deus sabe melhor do que eu.

A fé diz:

Os padrões de Deus são corretos mesmo quando o mundo diz que estão errados.

A fé diz:

A obediência vale a pena mesmo quando não consigo ver imediatamente o resultado.

A fé diz:

Prefiro estar com Deus e parecer tolo perante os homens do que estar com os homens e ser achado tolo diante de Deus.

Isso é julgamento justo.

Aplicar isto a nós mesmos

Portanto, precisamos de trazer o assunto para nós mesmos.

É muito fácil olhar para os setenta anciãos de Ezequiel e condená-los.

É muito fácil olhar para os escribas e fariseus e identificar a sua hipocrisia.

É muito fácil reconhecer onde organizações religiosas fizeram concessões.

O que é muito mais difícil é examinarmo-nos a nós mesmos.

Paulo diz:

“Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos.”

2 Coríntios 13:5

Precisamos de perguntar:

Os meus padrões mudaram?

Há coisas que antes perturbavam a minha consciência, mas que já não perturbam?

Permiti que a exposição repetida ao pensamento do mundo fizesse parecer normal algo que as Escrituras dizem estar errado?

Tomo decisões segundo princípios bíblicos ou segundo a conveniência?

O medo de outras pessoas influencia o meu julgamento?

As minhas ações correspondem realmente àquilo que digo acreditar?

São perguntas desconfortáveis.

Mas são perguntas necessárias.

Imaginemos que alguém nos seguisse durante uma semana sem ouvir nada do que dizemos acerca da nossa fé.

Veria o que fazemos.

Veria o que vemos.

Ouviria o que dizemos.

Veria como tratamos a nossa família.

Veria como nos comportamos no trabalho.

Veria em que gastamos o nosso dinheiro.

Veria o que ocupa o nosso tempo livre.

Veria como reagimos quando alguém nos irrita.

Veria o que acontece quando fazer o que é certo se torna inconveniente.

No final da semana, poderia reconhecer que somos discípulos do Senhor Jesus Cristo?

Isso não pergunta se somos perfeitos.

Nenhum de nós é.

Pergunta se existe coerência entre aquilo que professamos e a forma como vivemos.

O grande problema dos fariseus era:

Dizem e não praticam.

Não devemos permitir que essa frase nos descreva.

O temor do homem

Talvez um dos maiores obstáculos ao julgamento justo continue a ser o aviso que Moisés deu há milhares de anos:

“Não temereis a face de ninguém.”

Deuteronómio 1:17

O temor do homem é extraordinariamente poderoso.

Um jovem irmão ou irmã pode saber perfeitamente o que as Escrituras ensinam, mas ter medo de ser diferente na escola ou na universidade.

Um adulto pode saber o que é certo, mas temer as consequências no trabalho.

Um pai ou uma mãe pode saber que padrões devem ser mantidos em casa, mas temer perturbar os filhos.

Uma ecclesia pode saber o que as Escrituras ensinam, mas temer parecer pouco amigável ou antiquada.

Um irmão pode saber que algo deve ser dito, mas permanecer calado porque falar tornará a situação desconfortável.

E gradualmente o temor do homem substitui o temor de Deus.

Provérbios diz:

“O receio do homem armará laços, mas o que confia no SENHOR será posto em alto retiro.”

Provérbios 29:25

Notem novamente a relação com a fé.

A resposta ao temor do homem é confiar em Deus.

Quanto mais certos estivermos de que Deus é real, de que a sua Palavra é verdadeira, de que as suas promessas são certas e de que o seu Reino vem, menos importante se torna a aprovação humana.

Isso não significa que devamos procurar deliberadamente o confronto.

O julgamento justo não é desculpa para dureza.

A sabedoria que vem do alto é descrita em Tiago assim:

“Primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos...”

Tiago 3:17

A verdade e a bondade pertencem uma à outra.

A justiça e a misericórdia pertencem uma à outra.

A coragem e a humildade pertencem uma à outra.

O nosso Senhor possuía todas elas perfeitamente.

Prepararmo-nos para o Reino

Israel, em Deuteronómio, estava na fronteira da terra.

Nós também somos um povo que está na fronteira de uma herança.

Não sabemos exatamente quanto tempo resta antes de o Senhor regressar.

Mas cada dia nos aproxima.

A pergunta é se estamos a ser preparados.

Deus não está apenas a preparar um lugar para nós.

Está a preparar-nos para esse lugar.

E grande parte dessa preparação diz respeito à nossa capacidade de discernir os seus caminhos.

Isaías profetiza acerca do Senhor Jesus:

“E deleitar-se-á no temor do SENHOR; e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos.”

Isaías 11:3

O Rei vindouro julga de maneira diferente do mundo.

Não apenas segundo a aparência.

Não segundo preconceito.

Não segundo popularidade.

Mas segundo a justiça.

Se esperamos estar associados com ele nesse Reino, então precisamos de aprender agora o julgamento justo.

Cada decisão faz parte dessa educação.

Cada circunstância difícil é uma oportunidade.

Cada desacordo põe-nos à prova.

Cada tentação apresenta uma escolha.

Cada pressão do mundo pergunta-nos:

Que padrão vais usar?

Isso leva-nos de volta a Moisés:

“Porque o juízo é de Deus.”

Essas poucas palavras podem tirar de nós um enorme peso.

Não temos de inventar a moralidade.

Não temos de decidir o que a verdade deve ser.

Não temos de remodelar os princípios de Deus para se ajustarem a cada geração.

A nossa responsabilidade é mais humilde do que isso.

Temos de ouvir.

Temos de aprender.

Temos de crer.

E depois temos de obedecer.

À mesa do Senhor

E agora, ao virmos recordar o Senhor Jesus no pão e no vinho, temos diante de nós o exemplo supremo daquele que amou a justiça e odiou a iniquidade.

Aqui estava um homem que nunca permitiu que os padrões do seu Pai fossem enfraquecidos.

Estava rodeado por um mundo corrupto.

Foi mal compreendido.

Foi tentado.

Foi rejeitado.

Foi falsamente acusado.

Foi abandonado.

Sofreu.

E, contudo, permaneceu fiel.

Pôde dizer:

“Eu faço sempre o que lhe agrada.”

João 8:29

Que contraste com nós próprios.

Olhamos para as nossas vidas e reconhecemos a incoerência.

Momentos em que sabíamos o que era certo, mas não o fizemos.

Momentos em que venceu a conveniência.

Momentos em que venceu o medo.

Momentos em que venceu o orgulho.

Momentos em que o pensamento do mundo nos influenciou mais do que percebemos.

Mas os emblemas não nos lembram apenas o nosso fracasso.

Lembram-nos a misericórdia de Deus.

Lembram-nos que Deus providenciou um caminho de perdão.

Lembram-nos que em Cristo há esperança.

E chamam-nos novamente a segui-lo.

Portanto, ao examinarmo-nos, peçamos a Deus que nos ajude a ver onde os nossos padrões podem ter baixado.

Perguntemos se a nossa conduta corresponde realmente à nossa profissão.

Examinemos se estamos a ser moldados pelas Escrituras ou pelo mundo que nos rodeia.

Perguntemos se as nossas decisões nascem da fé em Deus ou do temor do homem.

E acima de tudo, olhemos novamente para o Senhor Jesus.

Ele amou a justiça.

Odiou a iniquidade.

Confiou no seu Pai.

Obedeceu quando a obediência era difícil.

E porque permaneceu fiel até à morte, Deus ressuscitou-o dos mortos e exaltou-o.

É nessa direção que nós também viajamos.

O deserto não continuará para sempre.

O Reino está diante de nós.

Ouçamos, portanto, mais uma vez o apelo das Escrituras.

Recusemos permitir que o mundo enfraqueça os padrões que Deus revelou.

Que aquilo que fazemos corresponda cada vez mais àquilo que dizemos.

Julguemos, não segundo a aparência, o preconceito, a conveniência ou o medo, mas com julgamento justo.

E tornemo-nos cada vez mais semelhantes àquele que nos reunimos para recordar:

o Senhor Jesus Cristo,

que amou a justiça e odiou a iniquidade,

e que confiou completamente no seu Pai.

Para que, quando ele regressar, pela graça e misericórdia de Deus, sejamos encontrados prontos para entrar naquele Reino pelo qual esperamos.

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