Curso Bíblico Postal — Lição 45: Como Pensamos nos Outros Importa para Deus

Portuguese, Portugal

LEITURA • TIAGO 2

A lei real

A conduta cristã começa com amor a Deus e amor ao próximo. A maneira como pensamos acerca das pessoas importa, porque pensamentos rapidamente se tornam palavras, atitudes e ações.

Quem é o meu próximo?

Um doutor da lei perguntou certa vez a Jesus o que devia fazer para herdar a vida eterna. A resposta uniu amor a Deus e amor ao próximo. Quando o homem perguntou: «E quem é o meu próximo?», Jesus respondeu com a parábola do Bom Samaritano. O samaritano mostrou misericórdia a um estranho ferido que outros tinham passado de largo.

«Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.»

Lucas 10:27 • King James Version

A lição é deliberadamente prática. Próximo não é apenas alguém que conhecemos, de quem gostamos ou que consideramos pertencente ao nosso grupo. Jesus terminou a parábola com o mandamento: «Vai, e faze da mesma maneira» (Lucas 10:37).

Sem «aceção de pessoas»

Tiago aplica o mesmo princípio dentro da assembleia cristã. Descreve um visitante rico tratado com honra enquanto um visitante pobre é posto de lado. O problema não é riqueza ou pobreza em si; o pecado é parcialidade — decidir que uma pessoa merece mais respeito por causa da aparência, estatuto ou posses.

«Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em aceção de pessoas.»

Tiago 2:1 • King James Version

«Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis. Mas, se fazeis aceção de pessoas, cometeis pecado e sois redarguidos pela lei como transgressores.»

Tiago 2:8–9 • King James Version

A lição-fonte aplica corretamente isto para além da riqueza. Origem étnica, tribo, cor da pele, deficiência, educação, profissão ou posição social nunca devem tornar-se motivos de desprezo. Cada pessoa é criatura de Deus; cada crente batizado pertence à única família em Cristo.

Um em Cristo Jesus

«Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.»

Gálatas 3:26–28 • King James Version

Paulo escreveu num mundo dividido por etnia, estatuto jurídico, riqueza e sexo. Essas diferenças não determinavam a posição do discípulo diante de Deus. Em Cristo, ninguém tem pretensão superior à salvação, comunhão ou dignidade.

MANEIRA MUNDANA DE PENSAR MANEIRA DE PENSAR COMO CRISTO
«Esta pessoa é rica ou importante, por isso devo impressioná-la.» Dê honra com justiça; não meça pessoas por posses ou influência.
«Pessoas daquela raça, tribo ou nação são todas iguais.» Julgue a conduta individualmente; rejeite preconceito e generalizações.
«Esta pessoa é pobre, deficiente, idosa ou sem educação, por isso vale menos.» Reconheça dignidade, escute com paciência e permita que cada pessoa contribua.
«A minha função eclesial torna-me mais importante.» Responsabilidade é serviço. Em Cristo, liderança não autoriza orgulho.
«Não gosto desta pessoa, por isso posso falar dela com dureza.» O amor governa a fala mesmo quando correção ou desacordo são necessários.

As nossas palavras revelam as nossas atitudes

O que pensamos dos outros acaba por aparecer na maneira como falamos. Um comentário cortante, um rótulo de desprezo ou um estereótipo repetido pode parecer pequeno, mas pode ferir uma pessoa e danificar a comunhão. Tiago usa a imagem de um pequeno fogo que se torna grande incêndio.

«Assim também a língua é um pequeno membro e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia.»

Tiago 3:5 • King James Version

«Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim.»

Tiago 3:9–10 • King James Version

Antes de falar de alguém

Pergunte a si mesmo

O que vou dizer é verdade — ou estou a supor motivos que não posso conhecer? É necessário e útil, ou apenas estou a criticar? Eu diria o mesmo se a pessoa estivesse presente? Estou a falar para resolver um problema ou para diminuir alguém? Consigo dizê-lo com a mesma misericórdia que espero receber de Deus?

«Não julgueis» — o que Jesus quis dizer?

Jesus adverte fortemente contra espírito condenatório: notar uma pequena falha noutra pessoa enquanto ignoramos uma falha muito maior em nós próprios. As suas palavras não significam que discípulos nunca devam distinguir certo de errado. No mesmo capítulo, ele manda ter cuidado com falsos profetas e reconhecê-los pelos frutos.

«Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós.»

Mateus 7:1–2 • King James Version

«Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão.»

Mateus 7:5 • King James Version

JULGAMENTO CONTRA O QUAL JESUS ADVERTE DISCERNIMENTO QUE JESUS EXIGE
Condenação rápida do caráter ou dos motivos de uma pessoa. Julgamento cuidadoso entre verdade e erro pela Escritura.
Encontrar falhas nos outros enquanto desculpamos falhas iguais ou maiores em nós. Examinar-nos primeiro e depois ajudar outra pessoa com humildade.
Tratar pessoas como permanentemente sem valor porque falharam. Reconhecer pecado deixando espaço para arrependimento, perdão e mudança.
Preconceito baseado em grupo, aparência ou estatuto. Avaliar ensino e conduta pelos seus «frutos».
Fofoca ou humilhação pública. Falar direta e construtivamente quando um problema real precisa de atenção.

«Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis.»

Mateus 7:15–16 • King James Version

Comece pelo autoexame

A imagem do argueiro e da trave é deliberadamente memorável. Jesus não nos diz que nunca devemos ajudar um irmão ou irmã com uma falha; diz que devemos tratar primeiro honestamente de nós próprios. A humildade muda o tom da correção. Em vez de «Sou melhor do que tu», a atitude torna-se: «Eu também preciso da misericórdia de Deus; como posso ajudar?»

Uma distinção útil

O amor cristão não é aprovação cega. Podemos identificar conduta prejudicial, proteger pessoas vulneráveis e rejeitar falso ensino sem desprezar a pessoa envolvida nem fingir que vemos tudo o que está no seu coração.

Jesus vai além do comportamento exterior

Mateus 5 mostra como os padrões de Deus chegam profundamente ao coração. Jesus toma mandamentos que regulam a conduta exterior e aplica-os ao interior. Ira pode alimentar desprezo; olhar com cobiça pode corromper a maneira como outra pessoa é vista; juramentos descuidados podem fazer a verdade comum parecer pouco confiável; retaliação pode transformar ferida num ciclo de feridas.

ENSINO DE JESUS O QUE PEDE DE NÓS
Ira e palavras insultuosas — Mateus 5:21–24 Procure reconciliação e recuse palavras que desumanizam ou humilham.
Olhar cobiçoso — Mateus 5:27–28 Não reduza outra pessoa a objeto de desejo egoísta.
Veracidade e juramentos — Mateus 5:33–37 Que a fala comum seja digna de confiança: «Sim, sim; Não, não».
Retaliação — Mateus 5:38–42 Não permita que uma ofensa pessoal se torne desculpa para vingança.
Amor aos inimigos — Mateus 5:43–44 Ore por quem o maltrata e recuse responder a ódio com ódio.

Respeitar o nome de Deus

«Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.»

Êxodo 20:7 • King James Version

A lição-fonte liga isto às palavras de Jesus: «de maneira nenhuma jureis» (Mateus 5:34). Os Cristadelfianos tradicionalmente entendem estas passagens como chamando os discípulos à veracidade simples sem juramentos religiosos. Quando testemunho formal é exigido, preferem afirmação solene em vez de invocar o nome de Deus para reforçar fala comum.

Amai os vossos inimigos

«Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem.»

Mateus 5:44 • King James Version

Este é um dos mandamentos mais difíceis do Sermão do Monte. Amar um inimigo não significa chamar bem ao mal, recusar proteção necessária ou fingir que a transgressão não aconteceu. Significa recusar ódio e vingança pessoal, continuando a desejar o bem espiritual da outra pessoa.

O exemplo de Jesus

«E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.»

Lucas 23:34 • King James Version

Jesus disse estas palavras enquanto sofria nas mãos de outros. A sua misericórdia é o padrão que a lição-fonte coloca diante de nós. Os discípulos não podem reproduzir a sua perfeição, mas podemos aprender a orar em vez de amaldiçoar, a perdoar em vez de alimentar amargura e a deixar o juízo final com Deus.

O que Deus procura

Orgulho e arrogância muitas vezes estão por trás do desprezo por outras pessoas. Isaías termina a lição-fonte desviando a nossa atenção do estatuto humano para o tipo de coração que Deus valoriza.

«Mas eis para quem olharei: para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra.»

Isaías 66:2 • King James Version

Um padrão prático para relacionamentos diários

QUANDO ISTO ACONTECE… PROCURE RESPONDER ASSIM…
Alguém o irrita ou ofende. Espere antes de falar. Pergunte se a ira está a controlar o seu julgamento.
Ouve uma acusação ou fofoca. Não a passe adiante. Procure factos e justiça em vez de excitação.
Alguém é diferente de si. Seja curioso e respeitoso em vez de confiar em estereótipos.
Um irmão ou irmã tem uma falha. Examine-se primeiro; se ajuda for necessária, fale humilde e construtivamente.
Alguém o trata como inimigo. Ore, recuse vingança e faça o que é certo diante de Deus.
Percebe que falou ou agiu mal. Admita, peça desculpa, procure perdão e mude a conduta.

A lei real na vida diária

O teste não é se sentimos naturalmente simpatia por cada pessoa. Amor cristão é decisão de tratar pessoas segundo os padrões de Deus: com justiça, misericórdia, verdade e humildade. Isso começa nos pensamentos, torna-se visível nas palavras e é provado pelas ações.

RESUMO

1 Deus condena a parcialidade. Não devemos medir pessoas por riqueza, raça, tribo, aparência, deficiência ou posição social.
2 As nossas palavras importam. Fala dura e desprezadora pode revelar atitudes erradas no coração e ferir outros.
3 «Não julgueis» proíbe hipocrisia, não discernimento. Examinamo-nos primeiro enquanto ainda testamos ensino e conduta pela Escritura.
4 Jesus chama-nos à obediência ao nível do coração. Ira, cobiça, veracidade, retaliação e amor aos inimigos começam na mente.
5 A humildade muda os relacionamentos. Um discípulo contrito lembra a própria necessidade de misericórdia e aprende a mostrá-la aos outros.

Capítulos para ler

Lucas 10:25–37 • Tiago 2 • Tiago 3:1–12 • Mateus 5–7 • Isaías 66:1–2

DECORAR • TIAGO 2:8

«Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis.»

Tiago 2:8 • King James Version

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