Leia as palavras da Bíblia no seu contexto
A King James Version usa palavras como «devils», «devil» e «Satan» de maneiras diferentes. Nem todas traduzem a mesma palavra original. Esta lição examina a linguagem dos demónios e a palavra «Satanás»; a Lição 30 considera «o diabo» e o pecado com mais detalhe.
Estão envolvidas palavras diferentes
O inglês antigo da King James Version pode fazer este assunto parecer mais confuso do que é. Em passagens sobre pessoas «possessas por demónios», o grego normalmente usa o grupo de palavras daimonion. Noutros lugares, «o diabo» normalmente traduz diabolos, que significa caluniador ou acusador. «Satanás» vem de uma palavra que significa adversário ou oponente.
| EXPRESSÃO KJV | PALAVRA ORIGINAL | IDEIA BÁSICA |
|---|---|---|
| «devil(s)» em passagens de demónios | Grego daimonion / formas relacionadas | Um demónio; traduções modernas normalmente usam «demon(s)». |
| «the devil» | Grego diabolos | Caluniador, acusador; considerado mais plenamente na Lição 30. |
| «Satan» | Hebraico satan / grego satanas | Adversário, oponente. |
| «evil spirit» | Expressão bíblica distinta | Não é simplesmente outra tradução de daimonion. |
Jesus, demónios e doença
Os Evangelhos descrevem Jesus curando pessoas com muitos tipos de aflição. Algumas são descritas como doentes; outras na linguagem de possessão demoníaca. Os cristadelfianos entendem esta linguagem como uma maneira de descrever sofrimento humano real, não como prova de seres malignos sobrenaturais independentes vivendo dentro das pessoas.
«E, chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele com a sua palavra expulsou deles os espíritos, e curou todos os que estavam enfermos; para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías, que diz: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças.» Mateus 8:16-17 • King James Version |
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Mateus reúne deliberadamente expulsar espíritos e curar doenças e depois relaciona ambos às palavras de Isaías sobre «as nossas enfermidades» e «as nossas doenças». Esta é uma razão importante para o entendimento cristadelfiano destas passagens.
O relato dos sofredores gadarenos
Mais tarde no mesmo capítulo, Mateus regista a cura de dois homens descritos como possuídos por demónios (Mateus 8:28-34). A linguagem é vívida, mas o facto central é claro: Jesus tinha autoridade para restaurar pessoas que outros não podiam ajudar. A realidade da cura não exige acreditar em demónios sobrenaturais opostos a Deus.
Demónios e falsa adoração
A Bíblia também usa linguagem de demónios em ligação com falsos deuses e a idolatria das nações. Salmo 106 diz primeiro que Israel serviu os ídolos das nações e depois descreve os terríveis sacrifícios associados a essa falsa adoração.
«E serviram os seus ídolos, que vieram a ser-lhes um laço. Demais disto, sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demónios.» Salmo 106:36-37 • King James Version |
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A palavra hebraica traduzida «demónios» no versículo 37 não é a palavra grega usada no Novo Testamento, mas o contexto liga claramente a linguagem à adoração idólatra. Os falsos deuses não eram rivais iguais ao verdadeiro Deus; Israel era condenado por abandonar o SENHOR para adorar ídolos.
Paulo usa linguagem semelhante
Paulo apresenta ponto semelhante em 1 Coríntios 10. Primeiro pergunta o que realmente é um ídolo, e noutra parte da mesma carta diz que «o ídolo nada é no mundo» (1 Coríntios 8:4). Mesmo assim adverte os crentes a não participar no culto sacrificial pagão.
«Antes digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demónios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demónios.» 1 Coríntios 10:20 • King James Version |
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A conclusão cristadelfiana A Escritura condena a adoração de demónios e a idolatria sem exigir que acreditemos que deuses pagãos são poderes sobrenaturais reais competindo com Deus. Há um só Deus, e a falsa adoração deve ser rejeitada. |
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O que significa «Satanás»?
A palavra hebraica satan significa adversário ou oponente. A Bíblia inglesa às vezes traduz simplesmente «adversário», o que nos ajuda a ver como a palavra é usada.
| PASSAGEM | QUEM É O ADVERSÁRIO? |
|---|---|
| 1 Reis 11:14 | Hadade, o edomita, foi levantado como adversário contra Salomão. |
| 1 Reis 11:23,25 | Rezom tornou-se outro adversário de Salomão e Israel. |
| Números 22:22 | O anjo do SENHOR colocou-se no caminho de Balaão «por adversário contra ele». |
| Mateus 16:23 | Jesus chamou Pedro «Satanás» quando Pedro se opôs ao caminho que Deus lhe tinha destinado. |
Estes exemplos mostram que a palavra por si mesma não nomeia um ser maligno sobrenatural específico. Descreve oposição. A identidade e caráter moral do adversário devem ser descobertos pelo contexto.
Um anjo pode ser adversário
Números 22 é especialmente importante. Balaão seguiu viagem e o anjo do SENHOR ficou no caminho «por adversário contra ele». O anjo fazia a vontade de Deus. Em hebraico, a mesma palavra muitas vezes traduzida «Satanás» é usada aqui para o anjo fiel de Deus.
«E a ira de Deus acendeu-se, porque ele se ia; e o anjo do SENHOR pôs-se-lhe no caminho por adversário.» Números 22:22 • King James Version |
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Um adversário, portanto, pode estar a agir mal ou bem. A palavra diz que alguém se opõe a outro; a passagem diz-nos porquê.
Pedro tornou-se adversário de Jesus
Quando Jesus explicou que precisava ir a Jerusalém, sofrer e ser morto, Pedro tentou desviá-lo desse caminho. Jesus respondeu com muita firmeza:
«Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens.» Mateus 16:23 • King James Version |
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Pedro não se transformou num ser sobrenatural. Tornou-se adversário porque, naquele momento, o seu pensamento humano se opunha ao propósito de Deus. É um exemplo claro de «Satanás» usado segundo o seu significado: um oponente.
Ananias e a responsabilidade do coração
Atos 5 descreve o pecado de Ananias. Pedro pergunta primeiro: «por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo?» e depois: «por que formaste este desígnio em teu coração?» (Atos 5:3-4).
Uma leitura cristadelfiana Os cristadelfianos leem as duas declarações juntas: Ananias era responsável pelo engano concebido no seu próprio coração. «Satanás» descreve a oposição do pensamento pecaminoso a Deus; a passagem não desculpa Ananias transferindo a responsabilidade para um tentador sobrenatural externo. |
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De onde vem a tentação?
Esta maneira de ler «Satanás» concorda com a ênfase repetida da Bíblia na responsabilidade pessoal. Tiago diz que a pessoa é tentada quando «atraída e engodada pela sua própria concupiscência» (Tiago 1:14). A próxima lição considera mais de perto a linguagem bíblica de «o diabo» e o poder do pecado.
Quem era «Lúcifer»?
Isaías 14:12 é frequentemente citado como se «Lúcifer» fosse o nome pessoal de um anjo sobrenatural caído. Mas o próprio capítulo identifica quem é visado. O versículo 4 introduz um provérbio ou escárnio «contra o rei de Babilónia». A linguagem descreve então a queda espetacular de um governante orgulhoso.
«Como caíste do céu, ó Lúcifer, filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!» Isaías 14:12 • King James Version |
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A linguagem poética de cair do céu descreve o colapso de poder exaltado. O versículo 16 reforça o cenário humano quando os observadores perguntam: «É este o homem que fazia estremecer a terra e que fazia tremer os reinos?» Os cristadelfianos entendem, portanto, Isaías 14 como profecia contra o rei de Babilónia, não como história de um anjo rebelde.
E o «rei de Tiro»?
Ezequiel 28 também contém linguagem poética elevada: Éden, pedras preciosas, um querubim e o monte santo de Deus. Estes versículos às vezes são aplicados a um diabo sobrenatural. Mas a própria passagem apresenta a lamentação como sendo «sobre o rei de Tiro».
«Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-lhe: Assim diz o Senhor DEUS.» Ezequiel 28:12 • King James Version |
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O entendimento cristadelfiano é que Ezequiel usa linguagem figurativa rica para descrever a posição privilegiada e depois a corrupção de um governante humano. O assunto imediato identificado pelo profeta é o rei de Tiro.
Leia o contexto, não uma frase isolada Palavras como «céu», «querubim», «Éden», «Lúcifer» e «Satanás» podem soar dramáticas quando retiradas do contexto. Leia sempre o capítulo inteiro e identifique quem é abordado, que acontecimento é descrito e se a linguagem é literal, poética ou simbólica. |
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Nenhum poder rival de Deus
A Bíblia apresenta consistentemente o SENHOR como supremo. Governantes humanos podem tornar-se orgulhosos, religiões falsas podem opor-se à verdade e desejos pecaminosos podem opor-se a Deus no nosso coração; mas a Escritura não apresenta Deus a partilhar o universo com um poder maligno independente igual a Ele.
O que aconteceu no Éden?
Génesis 3 regista uma serpente falando a Eva e contradizendo a ordem de Deus. Eva ouviu, desejou o fruto proibido e comeu; Adão também comeu. Quando Deus os interrogou, Adão culpou a mulher e Eva culpou a serpente.
«A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.» Génesis 3:12 • King James Version |
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«A serpente me enganou, e eu comi.» Génesis 3:13 • King James Version |
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Génesis coloca a responsabilidade em Adão e Eva pela desobediência. O capítulo não introduz um Satanás sobrenatural como outra personagem por trás da serpente. A serpente forneceu a tentação, mas Adão e Eva escolheram desobedecer. A Bíblia também regista noutro lugar um animal a falar quando o SENHOR abriu a boca da jumenta de Balaão (Números 22:28). A questão importante no Éden não é especular como a serpente falou, mas a resposta humana à ordem de Deus.
A lição para nós
Os seres humanos preferem naturalmente colocar a culpa noutro lugar. A Escritura chama-nos antes a reconhecer a nossa responsabilidade. O pecado começa quando a palavra de Deus é posta em dúvida, o desejo é deixado governar e escolhemos o nosso caminho em vez do Seu. Compreender a linguagem de «demónio» e «Satanás» no contexto bíblico ajuda-nos a concentrar-nos no problema real: falsa adoração, oposição humana a Deus e desejos pecaminosos que surgem dentro de nós. A próxima lição desenvolve isto considerando «o diabo e o pecado».
RESUMO
| 1 | A KJV usa palavras diferentes. «Devils» em passagens de demónios, «the devil» e «Satan» não traduzem todos o mesmo termo original. |
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| 2 | A linguagem dos demónios associa-se a aflição e falsa adoração. Os cristadelfianos não entendem demónios bíblicos como seres malignos sobrenaturais independentes. |
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| 3 | «Satanás» significa adversário ou oponente. A palavra pode descrever opositores humanos e, em Números 22, até um anjo obediente que se colocou contra Balaão. |
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| 4 | Isaías 14 e Ezequiel 28 têm governantes humanos em vista. A linguagem poética diz respeito ao rei de Babilónia e ao rei de Tiro nos seus contextos imediatos. |
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| 5 | Génesis responsabiliza Adão e Eva pelo pecado. O relato descreve a serpente e a desobediência humana; não introduz um Satanás sobrenatural por trás do acontecimento. |
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Capítulos para ler
Mateus 16:21-28 • Números 22 • Isaías 14 • Ezequiel 28
DECORAR • MATEUS 8:16-17
«E, chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele com a sua palavra expulsou deles os espíritos, e curou todos os que estavam enfermos; para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças.» Mateus 8:16-17 • King James Version |
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الدرس 29
الشياطين والشيطان
القراءة • متى 8:14-34
اقرأ كلمات الكتاب في سياقها
تستخدم نسخة الملك جيمس كلمات مثل «شياطين»، و«الشيطان» بطرق مختلفة، وهي لا تترجم كلها الكلمة الأصلية نفسها. ينظر هذا الدرس في لغة الشياطين وكلمة «الشيطان»؛ أما الدرس 30 فيبحث «إبليس» والخطية بمزيد من التفصيل.
هناك كلمات أصلية مختلفة
قد تجعل الإنجليزية القديمة في نسخة الملك جيمس هذا الموضوع أكثر تعقيداً مما هو. في المقاطع التي تتحدث عن أشخاص «بهم شياطين»، تستخدم اليونانية عادة مجموعة كلمات daimonion. أما «إبليس» فعادة يترجم diabolos أي مفتري أو متهم، و«الشيطان» يأتي من كلمة تعني الخصم أو المقاوم.
تعبير KJVالكلمة الأصليةالفكرة الأساسية
«شياطين» في مقاطع التلبساليونانية daimonion وأشكال قريبةشيطان؛ الترجمات الحديثة تقول عادة demon(s).
«إبليس»اليونانية diabolosمفتري أو متهم؛ يُبحث أكثر في الدرس 30.
«الشيطان»العبرية satan / اليونانية satanasخصم أو مقاوم.
«روح شرير»تعبير كتابي مستقلليس مجرد ترجمة أخرى لـ daimonion.
يسوع والشياطين والمرض
تصف الأناجيل يسوع وهو يشفي أشخاصاً من أنواع كثيرة من العلل. بعضهم يوصف بالمرض، وبعضهم بلغة «التلبس بالشياطين». يفهم الكريستادلفيان هذه اللغة كطريقة لوصف معاناة بشرية حقيقية، لا كدليل على أن كائنات شريرة خارقة مستقلة كانت تعيش داخل الناس.
«ولما صار المساء قدموا إليه مجانين كثيرين فأخرج الأرواح بكلمة، وجميع المرضى شفاهم، لكي يتم ما قيل بإشعياء النبي القائل: هو أخذ أسقامنا وحمل أمراضنا.»
متى 8:16-17 • King James Version
يجمع متى عمداً بين إخراج الأرواح وشفاء المرض ثم يربط الأمرين بكلام إشعياء عن «أسقامنا» و«أمراضنا». وهذا سبب مهم للفهم الكريستادلفي لهذه المواضع.
قصة المتألمين في كورة الجدريين
يسجل متى لاحقاً في الاصحاح نفسه شفاء رجلين وُصفا بأن بهما شياطين (متى 8:28-34). اللغة قوية، لكن الحقيقة المركزية واضحة: كان ليسوع سلطان أن يعيد إلى العافية أشخاصاً لم يقدر الآخرون على مساعدتهم. حقيقة الشفاء لا تتطلب الاعتقاد بشياطين خارقة تعارض الله.
الشياطين والعبادة الباطلة
يستخدم الكتاب أيضاً لغة الشياطين في ارتباط بآلهة الأمم الكاذبة وعبادة الأصنام. يقول مزمور 106 أولاً إن إسرائيل عبد أصنام الأمم، ثم يصف الذبائح الرهيبة المرتبطة بتلك العبادة.
«وعبدوا أصنامهم فصارت لهم فخاً. وذبحوا بنيهم وبناتهم للأوثان.»
مزمور 106:36-37 • King James Version
الكلمة العبرية المترجمة «شياطين» في العدد 37 ليست الكلمة اليونانية المستخدمة في العهد الجديد، لكن السياق يربطها بوضوح بالعبادة الوثنية. لم تكن الآلهة الكاذبة منافسين حقيقيين مساوين لله؛ كانت إدانة إسرائيل بسبب ترك الرب إلى عبادة الأصنام.
بولس يستخدم لغة مشابهة
يوضح بولس النقطة نفسها في كورنثوس الأولى 10. يسأل أولاً عن حقيقة الصنم، وفي موضع آخر من الرسالة يقول إن «الوثن ليس شيئاً في العالم» (كورنثوس الأولى 8:4). لكنه يحذر المؤمنين من المشاركة في العبادة الوثنية.
«بل إن ما يذبحه الأمم فإنما يذبحونه للشياطين لا لله، فلست أريد أن تكونوا أنتم شركاء الشياطين.»
كورنثوس الأولى 10:20 • King James Version
الاستنتاج الكريستادلفي
يدين الكتاب عبادة الشياطين والأوثان دون أن يطلب منا الاعتقاد بأن آلهة الوثنيين قوى خارقة حقيقية تنافس الله. يوجد إله واحد، ويجب رفض العبادة الباطلة.
ماذا تعني كلمة «الشيطان»؟
الكلمة العبرية satan تعني خصماً أو مقاوماً. وفي بعض المواضع يترجمها الكتاب الإنجليزي ببساطة «خصم»، وهذا يساعدنا على رؤية طريقة استخدامها.
الموضعمن هو الخصم؟
الملوك الأول 11:14أقام الله هدد الأدومي خصماً لسليمان.
الملوك الأول 11:23،25صار رزون خصماً آخر لسليمان وإسرائيل.
العدد 22:22وقف ملاك الرب في طريق بلعام «خصماً له».
متى 16:23سمى يسوع بطرس «شيطاناً» حين عارض الطريق الذي عينه الله له.
تبين هذه الأمثلة أن الكلمة نفسها لا تسمّي كائناً شريراً خارقاً واحداً بعينه. إنها تصف المعارضة. أما هوية الخصم وصفته الأخلاقية فيحددها السياق.
يمكن أن يكون الملاك خصماً
العدد 22 مهم بصورة خاصة. سار بلعام في طريقه، فوقف ملاك الرب أمامه «خصماً له». كان الملاك يفعل إرادة الله. والكلمة العبرية نفسها التي كثيراً ما تُنقل «شيطان» استُخدمت هنا لملاك الله الأمين.
«فحمي غضب الله لأنه منطلق، ووقف ملاك الرب في الطريق ليقاومه.»
العدد 22:22 • King James Version
إذن قد يكون الخصم مخطئاً أو مصيباً؛ فالكلمة تقول إن شخصاً يعارض آخر، والسياق يوضح السبب.
بطرس صار خصماً ليسوع
حين شرح يسوع أنه ينبغي أن يذهب إلى أورشليم ويتألم ويُقتل، حاول بطرس أن يصرفه عن الطريق. فأجابه يسوع بقوة:
«اذهب عني يا شيطان! أنت معثرة لي، لأنك لا تهتم بما لله لكن بما للناس.»
متى 16:23 • King James Version
لم يتحول بطرس إلى كائن خارق. صار خصماً لأن تفكيره البشري في تلك اللحظة عارض قصد الله. وهذا مثال واضح لاستخدام «شيطان» بمعناها: مقاوم.
حنانيا ومسؤولية القلب
يصف أعمال 5 خطية حنانيا. يسأل بطرس أولاً: «لماذا ملأ الشيطان قلبك لتكذب على الروح القدس؟» ثم يسأل: «لماذا وضعت في قلبك هذا الأمر؟» (أعمال 5:3-4).
قراءة كريستادلفية
يفهم الكريستادلفيان العبارتين معاً: كان حنانيا مسؤولاً عن الخداع الذي تصوره في قلبه. «الشيطان» يصف معارضة التفكير الخاطئ لله؛ ولا يعفي الموضع حنانيا بنقل المسؤولية إلى مجرّب خارق خارجي.
من أين تأتي التجربة؟
يتفق هذا الفهم لكلمة «الشيطان» مع تأكيد الكتاب المتكرر للمسؤولية الشخصية. يقول يعقوب إن الإنسان يُجرّب حين «ينجذب وينخدع من شهوته» (يعقوب 1:14). وينظر الدرس التالي بمزيد من التفصيل في لغة «إبليس» وسلطان الخطية.
من كان «لوسيفر»؟
كثيراً ما يُقتبس إشعياء 14:12 كما لو أن «لوسيفر» اسم شخصي لملاك ساقط خارق. لكن الاصحاح نفسه يعرّف المخاطَب: العدد 4 يقدم مثلاً ساخراً «على ملك بابل». ثم تصف اللغة سقوط حاكم متكبر سقوطاً مدهشاً.
«كيف سقطت من السماء يا زهرة بنت الصبح! كيف قُطعت إلى الأرض يا قاهر الأمم!»
إشعياء 14:12 • King James Version
اللغة الشعرية عن السقوط من السماء تصف انهيار سلطة مرفوعة. ويؤكد العدد 16 الإطار البشري حين يسأل الناظرون: «أهذا هو الرجل الذي زلزل الأرض وزعزع الممالك؟». لذلك يفهم الكريستادلفيان إشعياء 14 كنبوة على ملك بابل، لا كتاريخ ملاك متمرد.
وماذا عن «ملك صور»؟
يحتوي حزقيال 28 أيضاً لغة شعرية مرتفعة: عدن، حجارة كريمة، كروب، وجبل الله المقدس. ويطبقها بعض الناس على إبليس خارق، لكن الموضع نفسه يقدم المرثاة بأنها «على ملك صور».
«يا ابن آدم ارفع مرثاة على ملك صور وقل له: هكذا قال السيد الرب.»
حزقيال 28:12 • King James Version
يفهم الكريستادلفيان أن حزقيال يستخدم لغة تصويرية غنية لوصف المكانة المتميزة ثم فساد حاكم بشري. الموضوع المباشر الذي يسميه النبي هو ملك صور.
اقرأ السياق لا العبارة المنفردة
قد تبدو كلمات مثل «السماء» و«الكروب» و«عدن» و«لوسيفر» و«الشيطان» مثيرة إذا فُصلت عن سياقها. اقرأ الاصحاح كله وحدد من يُخاطَب، وما الحدث، وهل اللغة حرفية أم شعرية أم رمزية.
لا توجد قوة منافسة لله
يعرض الكتاب الرب دائماً بوصفه المتسلط الأعلى. قد يتكبر حكام بشر، وقد تعارض الديانات الباطلة الحق، وقد تقاوم الرغبات الخاطئة الله في قلوبنا؛ لكن الكتاب لا يصوّر الله وهو يقاسم الكون قوة شر مستقلة مساوية له.
ماذا حدث في عدن؟
يسجل التكوين 3 حية تتكلم إلى حواء وتناقض أمر الله. سمعت حواء واشتهت الثمرة المحرمة وأكلت، وأكل آدم أيضاً. وحين سألهم الله، لام آدم المرأة ولامت حواء الحية.
«المرأة التي جعلتها معي هي أعطتني من الشجرة فأكلت.»
التكوين 3:12 • King James Version
«الحية غرتني فأكلت.»
التكوين 3:13 • King James Version
يضع التكوين المسؤولية على آدم وحواء بسبب عصيانهما. ولا يقدم الاصحاح شيطاناً خارقاً كشخص آخر وراء الحية. قدمت الحية التجربة، لكن آدم وحواء اختارا العصيان.
ويسجل الكتاب في موضع آخر حيواناً يتكلم عندما فتح الرب فم أتان بلعام (العدد 22:28). النقطة المهمة في عدن ليست التكهن بكيف تكلمت الحية، بل استجابة البشر لأمر الله.
الدرس لنا
يميل البشر طبيعياً إلى وضع اللوم على غيرهم. أما الكتاب فيدعونا إلى الاعتراف بمسؤوليتنا. تبدأ الخطية عندما يُشك في كلمة الله وتُترك الرغبة لتحكم ونختار طريقنا بدلاً من طريقه.
يساعدنا فهم لغة «الشياطين» و«الشيطان» في سياقها الكتابي على التركيز على المشكلة الحقيقية: العبادة الباطلة، ومعارضة البشر لله، والرغبات الخاطئة التي تنشأ في داخلنا. ويطور الدرس التالي هذا الموضوع بالنظر في «إبليس والخطية».
الخلاصة
1
تستخدم نسخة KJV كلمات مختلفة.
«الشياطين» في مقاطع التلبس، و«إبليس»، و«الشيطان» لا تترجم كلها الكلمة الأصلية نفسها.
2
لغة الشياطين ترتبط بالمعاناة والعبادة الباطلة.
لا يفهم الكريستادلفيان شياطين الكتاب ككائنات شريرة خارقة مستقلة.
3
«الشيطان» يعني خصماً أو مقاوماً.
يمكن أن تصف الكلمة خصوماً بشراً، وفي العدد 22 حتى ملاكاً مطيعاً وقف ضد بلعام.
4
إشعياء 14 وحزقيال 28 يتحدثان عن حكام بشر.
لغتهما الشعرية تتعلق في السياق المباشر بملك بابل وملك صور.
5
يجعل التكوين آدم وحواء مسؤولين عن خطيتهما.
يصف الحساب الحية والعصيان البشري ولا يقدم شيطاناً خارقاً وراء الحدث.
فصول للقراءة
متى 16:21-28 • العدد 22 • إشعياء 14 • حزقيال 28
للحفظ • متى 8:16-17
«ولما صار المساء قدموا إليه كثيرين بهم شياطين، فأخرج الأرواح بكلمة وجميع المرضى شفاهم، لكي يتم ما قيل بإشعياء النبي القائل: هو أخذ أسقامنا وحمل أمراضنا.»
متى 8:16-17 • King James Version