Curso Bíblico Postal — Lição 34: O Nosso Dever para com o Estado

Portuguese, Portugal

Duas lealdades — um primeiro lugar

Um discípulo de Jesus vive dentro de uma nação humana e deve ser cidadão pacífico, honesto e cumpridor da lei. Contudo, a lealdade mais elevada do crente pertence a Deus e ao Seu Reino vindouro. Normalmente estes deveres harmonizam-se; quando entram realmente em conflito, Deus deve vir primeiro.

Deus chama um povo de todas as nações

Nos tempos bíblicos Israel foi constituído como nação de Deus. Hoje o Evangelho chama homens e mulheres de todos os povos e línguas a pertencerem a Cristo.

«Uma grande multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono e perante o Cordeiro.»

Apocalipse 7:9 • King James Version

A esperança dos crentes centra-se no regresso do Senhor Jesus Cristo e no estabelecimento do Reino de Deus na terra. Isso dá-lhes cidadania e lealdade que ultrapassam qualquer sistema político presente.

O Reino de Deus no passado

No Sinai Deus fez aliança com Israel e deu-lhe a Sua lei (Êxodo 19:1-8). Nesse sistema, a lei de Deus era também a lei da nação. Mais tarde reis governaram em Jerusalém no que a Escritura chama «o trono do SENHOR» (1 Crónicas 29:23).

Essa situação não continuou. Por causa da desobediência persistente, o reino do norte foi conquistado pela Assíria e Judá foi levado para Babilónia. Israelitas fiéis passaram a viver sob governos que não partilhavam a sua fé.

Daniel — fiel a Deus, útil ao Estado

SITUAÇÃO RESPOSTA FIEL LIÇÃO
Daniel 1:8 — a provisão do rei feria a consciência de Daniel. Pediu uma alternativa, sem confronto desnecessário. Obedecer a Deus com respeito e sabedoria.
Daniel 3 — o rei ordenou adoração da imagem de ouro. Sadraque, Mesaque e Abednego recusaram adorar. A adoração pertence somente a Deus.
Daniel 6 — oração a qualquer outro foi proibida por trinta dias. Daniel continuou a orar a Deus como antes. Uma lei não pode retirar um dever devido a Deus.

O princípio

Os cristãos devem obedecer às leis do país em que vivem, salvo quando obedecer à lei exigiria desobedecer a Deus. Mesmo então, o crente deve agir abertamente, pacificamente e sem provocação desnecessária.

Jesus sob o domínio romano

O Senhor Jesus viveu numa terra governada por Roma. Não ensinou os discípulos a ignorar obrigações civis por os governantes serem imperfeitos.

«Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.»

Mateus 22:21 • King James Version

Há coisas devidas ao governo civil: impostos legais, honestidade nas relações públicas, respeito pela autoridade e conduta pacífica. Paulo desenvolve o princípio em Romanos 13.

Respeito pela autoridade

«Sujeitai-vos, pois, a toda ordenação humana por amor do Senhor; quer ao rei, como superior; quer aos governadores, como por ele enviados.»

1 Pedro 2:13-14 • King James Version

Pedro escreveu a crentes que não controlavam o sistema político. O seu ensino não era serem sem lei ou briguentos, mas viverem honradamente. O mesmo capítulo diz: «Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai o rei» (1 Pedro 2:17).

Submissão não é adoração

Respeitar a autoridade civil não significa tratar governantes como moralmente infalíveis, concordar com cada política, ou dar ao Estado a adoração e lealdade absoluta que pertencem a Deus.

Quando a autoridade humana entra em conflito com Deus

Os apóstolos enfrentaram isso quando foram mandados deixar de ensinar em nome de Jesus:

«Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.»

Atos 5:29 • King James Version

Isto não era um lema para resistir a leis de que não gostavam. Aplicava-se quando a autoridade exigia diretamente algo contrário ao mandamento de Deus. Os apóstolos aceitaram as consequências e continuaram o testemunho sem rebelião violenta.

Jesus e os reinos deste mundo

«O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos... mas agora o meu reino não é daqui.»

João 18:36 • King James Version

«Não é deste mundo» não significa que o Reino de Cristo nunca estará na terra. Jesus explicava que a sua origem e autoridade não derivavam da ordem política então existente. Os seus servos não deviam estabelecer o seu reinado pela força.

Política e a posição cristadelfiana

Os cristadelfianos têm tradicionalmente entendido estes princípios como chamando os discípulos à neutralidade política. A esperança não é que um partido ou governo humano estabeleça o Reino de Deus, mas que Jesus Cristo regresse e governe a terra com justiça.

Por isso os cristadelfianos normalmente não se candidatam a cargos políticos, não fazem campanha por partidos e não votam em eleições. Esta é uma conclusão da compreensão cristadelfiana da separação cristã e lealdade ao Rei vindouro; não uma afirmação de que cada versículo menciona diretamente eleições modernas.

«Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.»

1 Pedro 2:9 • King James Version

Esta separação não significa deixar de cuidar dos vizinhos. Os cristãos devem ser prestáveis, compassivos, honestos e úteis na sociedade.

Guerra, serviço militar e uso da força

Os cristadelfianos têm historicamente assumido posição de objeção de consciência: discípulos de Cristo não devem tirar vida humana em guerra nem colocar-se sob ordens para o fazer. Isso deriva do ensino de Cristo sobre amar inimigos, da sua recusa em avançar o Reino pela força e da esperança no Reino de Deus.

«Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem.»

Mateus 5:44 • King James Version

A consciência deve ser pensada antes da crise

Questões de serviço militar, profissões armadas ou serviço nacional obrigatório devem ser consideradas pelas Escrituras antes de surgir uma situação difícil. Onde a lei prevê objeção de consciência, o crente deve usar esse processo com honestidade e respeito.

Polícia e profissões que envolvem força coerciva

Nem todo serviço público apresenta o mesmo problema. O crente deve examinar os deveres reais de uma função e perguntar se podem ser desempenhados de modo consistente com a lei de Cristo. Saúde, educação, administração, resposta a emergências, engenharia e assistência social podem ser formas valiosas de servir o próximo.

Juramentos e discurso verdadeiro

Os cristadelfianos também têm sido cautelosos quanto a juramentos de lealdade que parecem dar a um poder terreno direito incondicional sobre o crente. Jesus ensinou verdade simples: «Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não» (Mateus 5:37). Em muitos sistemas legais pode usar-se uma afirmação em vez de juramento.

Impostos, leis e responsabilidades cívicas

«Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.»

Romanos 13:7 • King James Version

Neutralidade política não cancela deveres civis normais. O discípulo deve pagar o que é legalmente devido, manter compromissos, respeitar direitos dos outros e tratar as autoridades com verdade.

Pode um cristão contestar injustiça?

Respeito pelo governo não exige silêncio diante de injustiça. Paulo usou proteções legais disponíveis como cidadão romano (Atos 22:25-29; 25:10-12).

Ação pacífica e legal

Um cristão pode denunciar irregularidades, recorrer de decisão injusta ou defender direitos por meios legais. Honestidade, moderação e respeito devem marcar a sua conduta.

A primeira responsabilidade do cristão

«Nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse dado.»

João 19:11 • King James Version

Governos e leis mudam, mas Deus permanece supremo. A conduta cristã não deve ser dirigida por lealdade partidária, nacionalismo, ira ou medo.

Vivendo como estrangeiros e peregrinos

Pedro chama os crentes «estrangeiros e peregrinos» (1 Pedro 2:11). Ainda trabalhamos, criamos famílias, ajudamos vizinhos e cumprimos deveres legais, mas a era presente não é a nossa esperança final.

O ESTADO PODE ESPERAR DEUS DEVE SEMPRE RECEBER
Obediência legal, impostos e conduta pacífica Adoração, primeira lealdade e obediência quando ordens humanas entram em conflito com Ele
Respeito por governantes e funcionários Fé, consciência e lealdade moral
Serviço responsável aos vizinhos Confiança de que o Seu Reino, não a política humana, finalmente porá o mundo em ordem

Um testemunho positivo na sociedade

O cristão não é chamado apenas a evitar política, guerra ou maldade. Pedro manda viver honradamente para que outros vejam boas obras e glorifiquem Deus. Discípulos devem ser dignos de confiança, verdadeiros, compassivos e úteis.

O equilíbrio

Obedeça ao Estado onde puder. Respeite os seus funcionários. Pague o que é devido. Use processos legais honestamente. Faça bem aos vizinhos. Mas nunca dê a uma autoridade humana a obediência, adoração ou lealdade que pertencem somente a Deus.

RESUMO

1

Deus vem primeiro.

A nossa mais alta lealdade pertence a Deus e ao Senhor Jesus Cristo.

2

Obedeça à autoridade legal.

Seja pacífico e honesto; pague impostos e cumpra deveres cívicos normais.

3

Quando houver conflito, obedeça a Deus.

«Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.»

4

Permaneça separado, mas faça o bem.

Cristadelfianos tradicionalmente evitam política partidária, voto e serviço militar, enquanto servem os vizinhos e usam meios legais honestamente.

Capítulos para ler

Daniel 3 • Daniel 6 • Romanos 13 • Mateus 22:15-22 • Atos 4-5 • 1 Pedro 2

DECORAR • 1 PEDRO 2:9-11

«Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido... Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma.»

1 Pedro 2:9-11 • King James Version

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